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Sou Tradutora (inglês/português) profissional, formada em Letras-Tradução pela Universidade Anhembi-Morumbi, atuando há mais de 20 anos no campo técnico e especialmente literário. Traduzi mais de 190 livros até o presente, entre romances, livros de negócios, de autoajuda, biografias, guias, trabalhando como freelancer para editoras renomadas. Também escrevo artigos, crônicas, textos em geral, e acabo de publicar o “Meu Próprio Livro”. I'm a professional Translator (English/Portuguese), with a Letters/Translation degree. I've been working for more than 20 years in the area, with technical and especially literary translation. I’ve translated more than 190 books up to now, among novels, business books, biographies, self-help books, guides, working as a freelancer for renowned publishers. I also write articles, chronicles, general texts, and I’ve just published my own book, called “Meu Próprio Livro”.

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Onde quer que você esteja, sinta-se em casa aqui!
Wherever you are, feel at home here.
Donde quiera que estés, te sientas en casa acá.

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São inúmeros aqueles que não são mais escritores aprendizes, mas todos somos aprendizes de escritores para sempre...
There are countless ones who are no longer apprentice writers, but we are all writers' apprentices forever...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Dinossauros da Escrita nos Novos Tempos

 Será que nós, os “Dinossauros da Escrita”, também estamos entrando em extinção? Sei que o calo no meu dedo médio, aquele que cresce de tanto escrevermos à caneta, já está quase sumindo... Cada vez mais, as pessoas estão escrevendo menos e o mínimo possível, abreviando tudo o que podem enquanto se comunicam pelas redes sociais.
     Concordo que não há espaço para se escrever muito e que, para se enviar uma mensagem do celular, a digitação não é das mais cômodas. Eu mesma uso o celular apenas para fazer e receber ligações. É um modelo bem simples e básico, vive desligado, pois trabalho em casa e nem sequer decorei o número. Me atrapalho toda até para ver mensagens nele... O que dirá para me conectar à internet!
     Admito que um celular é bastante útil para consultas e envio rápido de mensagens, especialmente para quem trabalha com informações e precisa agilizar tudo. De modo geral, porém, noto que algumas pessoas, além de não fazerem questão de escrever muito, quer seja à caneta, ou no teclado, também estão ficando com preguiça de ler. Parece que a febre no facebook, somada à dos selfies, é ir repassando coisas de outras páginas, dando uma lida rápida, já de olho na próxima postagem a ver de relance e a compartilhar. Se um texto tiver mais de cinco linhas, que fique para depois. “Escrever muito também, para quê? Não levo jeito e ninguém vai ler mesmo. É melhor ir repassando...” Se bem que, cada um na sua, claro.
     Num mundo em que praticamente todas as informações que precisamos estão ao
alcance de uma tecla, tem-se a impressão de que algumas pessoas não fazem mais tanta questão de aprender, pesquisar, de se aprimorar. A não ser quando se veem obrigadas pela escola, ou pelo cada vez mais competitivo mercado de trabalho. Ou seja, não é uma coisa espontânea em todos, aquela vontade de aprender. “Para quê? Está tudo lá. É só pesquisar na internet!”

     Nas redes sociais, o comportamento geral das pessoas (incluindo a mim mesma) chega a ser cômico. Muitos ficam ávidos pelos seus quinze minutos de fama virtual, querendo “ser lidos” em vez de “ler”; um equivalente no mundo real a não ouvir o outro, a apenas falar. Só que quase ninguém percebe que o que interessa a muitos é repassar, repassar, compartilhar o que já existe numa enxurrada de postagens que nos deixam até zonzos.
     Ou retuitar, retuitar (O aportuguesamento é meio esquisito, mas como “tuitar” já consta até no Aurélio, para mim é lei.) Ah, e existem “clubes” só para seguir pessoas e oferecer seguidores do Twitter à venda. Como assim? Voltei ao Twitter este ano, depois de ter me afastado por falta de tempo, e não estou nem aí para esse negócio de quantidade de seguidores. Deixo lá, posto as minhas coisinhas de maneira quase artesanal, como digo, sigo quem gosto, e siga a minha página quem quiser. Sem estresse. Mas cada um tem seu jeito.
     Não estou querendo dizer que o que é compartilhado pelos usuários das redes sociais não é bonito, interessante, ou divertido. É claro que é, mas nota-se certo exagero. Eu também compartilho coisas de páginas de curtir e acho que o que é bom tem de ser valorizado e admirado. Do contrário, tudo o que os grandes mestres e gênios nos deixaram, teria sido em vão. Sem mencionar que cada pessoa tem uma determinada aptidão. Se eu fosse encher os meus blogs com os meus desenhos ao estilo pré-histórico, ficariam ridículos. Daí, admito que também copio imagens de domínio público da internet para usar e que mantenho uma página adicional só com citações de autores diversos no meu blog principal. Em suma, precisamos uns dos outros na fascinante arte da criação... ou da boa e assumida imitação em determinados casos. Apenas acho que não devemos nos acomodar em relação àquilo que sabemos. O ideal é nos sentirmos estimulados a criar o que estiver ao alcance e também a aprender mais e mais, a usar toda nossa capacidade e até a nos superarmos.
     Não sou contra essa tecnologia toda. Meu princípio sempre foi o de que temos de aproveitar o que há de melhor de dois mundos... quer estejam no espaço, tempo, cultura, etc. De fato, toda essa facilidade de hoje em dia não tem preço. As redes sociais são excelentes para entretenimento e trabalho quando bem empregadas. Por outro lado, para uma pessoa que trabalha diariamente no PC, como eu, elas podem se tornar um vício, consumindo tempo e energia demais se o uso não for bem administrado.
     O Twitter, por exemplo, funciona bem para as celebridades, pois são seguidas pelas legiões de fãs e divulgam seu trabalho. E não é que os famosos não queiram ler tudo o que os fãs escrevem. Eles simplesmente não conseguiriam. É impossível! Eu mesma como uma pessoa comum, com apenas duzentos e tantos seguidores na minha página, não consigo acompanhar muito do que é postado. E no quesito comportamento nas redes sociais, já existem dicas pelos quatro cantos sobre a maneira correta de se portar.
     Também posto um selfie ou outro e trivialidades ocasionalmente. Num desses dias mesmo, tirei umas fotos da minha sopa de grão-de-bico e postei com a receita e tudo. Afinal, as redes sociais também servem para as pessoas relaxarem, mostrarem um pouco do seu cotidiano. E é tudo uma questão de ponto de vista. Há quem não deva aguentar mais me ouvir falar sobre os meus blogs. Mas juro que passei a controlar a compulsão. Eu até andei me tornando uma "especialista" em marketing caseiro, fazendo uso de mil e uma estratégias (gratuitas) para divulgar os blogs, embora não tenham fins lucrativos, sejam praticamente ONGs. Bobagem... Mas eles me dão aquela satisfação pessoal que também não tem preço. E qual é a finalidade dessa divulgação?, me pergunto às vezes. A de que leiam minhas coisas e gostem delas? Provavelmente. Deve ser algo parecido com o pavor de se apresentar para uma plateia vazia...

     Não sei se, como “Dinossauro da Escrita” que sou, do tipo que ainda adora uma caneta e papel quando tem chance, escrevo bem ou não. Só sei que escrevo sobre qualquer coisa. É só dar o tema. Posso escrever umas cinco páginas sobre uma simples tampinha de garrafa, ou qualquer outra coisa. Acho que também “falo pelos cotovelos” por escrito. Sem mencionar que falo, interrompo ou completo as frases dos outros _ tudo aquilo que o pessoal da etiqueta aponta que é errado, indelicado. Mas não é que eu não tenha interesse pelo que os outros dizem ou escrevem. Ao contrário, me envolvo tanto na conversa ou debate que preciso expor as minhas opiniões enquanto tenho a oportunidade. Venho me esforçando para corrigir esse lado ansioso.
     Para concluir, receio que _ além de todos os perigos que já são divulgados e que pairam à espreita no lado sombrio da internet _, de tanto repassar, copiar, repassar, as pessoas acabem se esquecendo de criar. Receio que, de tanto encontrar tudo pronto, as pessoas se esqueçam de edificar, de construir.
     Não podemos desacelerar a nossa evolução intelectual. Tem de ficar sempre claro que somos nós, os seres humanos, que abastecemos a internet com todas aquelas informações que nós mesmos buscamos.

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