Created with flickr slideshow.

Sou Tradutora (inglês/português) profissional, formada em Letras-Tradução pela Universidade Anhembi-Morumbi, atuando há mais de 20 anos no campo técnico e especialmente literário. Traduzi mais de 190 livros até o presente, entre romances, livros de negócios, de autoajuda, biografias, guias, trabalhando como freelancer para editoras renomadas. Também escrevo artigos, crônicas, textos em geral, e acabo de publicar o “Meu Próprio Livro”. I'm a professional Translator (English/Portuguese), with a Letters/Translation degree. I've been working for more than 20 years in the area, with technical and especially literary translation. I’ve translated more than 190 books up to now, among novels, business books, biographies, self-help books, guides, working as a freelancer for renowned publishers. I also write articles, chronicles, general texts, and I’ve just published my own book, called “Meu Próprio Livro”.

Sobre o Blog / About the Blog - Link:

Onde quer que você esteja, sinta-se em casa aqui!
Wherever you are, feel at home here.
Donde quiera que estés, te sientas en casa acá.

*************************************************************************************
São inúmeros aqueles que não são mais escritores aprendizes, mas todos somos aprendizes de escritores para sempre...
There are countless ones who are no longer apprentice writers, but we are all writers' apprentices forever...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

2011 - No Mundo da Lua!


    
       Tenho uma amiga desde a adolescência que sempre se divertiu com o meu jeito, digamos, um tanto distraído. Recentemente, enviei uma mensagem a ela para contar um dos meus últimos "foras". E foi o seguinte:
"Marie, me esqueci de te contar esta:
     Num dia desses, desci do elevador. Logo olhei para a parede do corredor e pensei: Cadê o meu quadro de flores? O capacho também não estava na frente da minha porta. Pensei: “Será que o funcionário da limpeza o pegou para lavar, apesar de nunca fazer isso?” Enfim, senti falta do meu enfeite de sininhos com golfinhos na porta. Só, então, olhei para o número do apartamento (já com a chave na mão, prestes a colocá-la na fechadura).
     Eu tinha descido num andar acima do meu!
     Acontece que nós, intelectuais (Ah, ah!), não somos destrambelhados. Apenas costumamos estar com a mente em outro lugar... No mundo da lua!
Neste mundo “multitarefas" em que vivemos _ sendo que o certo seria fazermos uma coisa de cada vez _, acabei me tornando uma pessoa distraída no dia a dia. Ou talvez seja mesmo algo da minha natureza, não sei. No trabalho ou em questões mais sérias, compenso isso me empenhando para ter atenção redobrada no que faço. Agora, no cotidiano, é fato que, me juntando a todos, não me resta escolha, a não ser rir de mim mesma. Minha distração me leva a incontáveis micos, desde como vivo tentando entrar no carro errado na saída de algum lugar (Para mim, todos os carros prateados são praticamente iguais.) até como saí na rua um dia desses, sem perceber, com um brinco totalmente diferente do outro em cada orelha ou, ainda, num outro dia, quando tranquei a chave dentro do armário do vestiário e tive de chamar uma funcionária do lugar para arrebentar o cadeado com um baita alicate.
     Uma vez, quando ainda trabalhava como secretária numa empresa de engenharia, era véspera de feriadão _ uma quinta-feira _ e, depois do expediente, eu não teria aula na faculdade naquela noite. Assim, lá subi eu o quilômetro de sempre até o ponto, peguei minhas três conduções (ônibus/metrô/ônibus) e cheguei alegre e saltitante em casa, pronta para curtir a folga prolongada. Foi, então, naquele segundo, quando mal havia entrado em casa que me ocorreu: "Ai, esqueci o ventilador da firma ligado!"
     Pronto, foi quanto bastou para que meu feriadão fosse por água abaixo. Fiquei lá, me torturando, refazendo cada passo mentalmente, tentando lembrar se havia desligado o ventilador, mas nada. Havia um branco total na memória; em relação a apena isso, claro. Até de todas as músicas que eu tinha ouvido no meu inseparável walkman vermelho eu lembrava! "Vou ter que voltar lá!", pensei desanimada, imaginando a longa jornada de volta de cerca de uma hora e meia, ou a firma pegando fogo devido a algum curto causado pelo ventilador ligado.
     Só então tive a ideia óbvia. Liguei para um colega que morava mais perto da empresa, talvez a uns vinte minutos de lá. Ele se prontificou a ir checar para mim e teve de correr o risco de ser preso entrando pela janela, pois não havia mais vivalma na firma. E voilà! Quando ele entrou para verificar, o ventilador estava... desligado, no final das contas. Desde aquele dia, costumo checar se o gás está desligado umas duas vezes antes de ir dormir. Está longe de ser TOC. Simplesmente não tenho tempo para ter TOC, embora me compadeça muito de quem sofre desse mal. É algo terrível, pelo que se observa, mas tem tratamento, claro.
     Outra coisa que minha amiga adora relembrar é uma vez em que, seguindo ao encontro dela no ponto de ônibus para a ida à faculdade, contornei um carro atravessado na calçada sem notar que ele tinha batido na banca de jornal próxima e a arrastado junto (sem ninguém dentro, soube depois). É a velha distração.
     Já saí para a rua com uma toalha molhada de banho dependurada no braço... Só até a calçada. Pego o carrinho de compras dos outros em vez do meu no corredor do supermercado; troco nomes vez ou outra; pego ônibus errado ou desço fora do ponto; não noto absolutamente nenhuma diferença na mudança de decoração dos outros... essas coisas. Já me disseram que eu deveria caminhar com um GPS pela rua...
     Tenho outra amiga no meu grupo de e-mails para quem vivia repassando mensagens havia um bom tempo. Aqueles e-mails de antes da febre do facebook, com mensagens do tipo "Dicas para o seu bem-estar"; "Veja que imagens lindas!"; "Jesus te ama", “Repasse para 20 amigos, se não...” e por aí vai. Só que havia umas mensagens meigas que nós, garotas, costumávamos passar só para as mulheres do grupo, como "Amigas para sempre", "Adoro você, amiga", "Repasse este e-mail só para as amigas do peito" e, claro, aqueles e-mails com "saradões" que diziam "Vejam que pedaço de mau caminho", "Oh, homem danado de lindo", "Mama mia, esses são de tirar o fôlego". Vestidos, claro! Bom, sem camisa... né? Enfim, vocês sabem, meninas, aqueles e-mails inocentes, mas de encher os olhos, cheios de "pedaçudos*", só para admirar. Aconteceu, então, que, de repente, tive de mandar um e-mail confidencial, com um assunto muito sério, que era para ser conversado apenas entre nós duas e, claro, pedi absoluto sigilo a ela. Minha amiga me mandou um e-mail em resposta logo depois me dizendo que aquele endereço de e-mail que eu estava usando havia tempo era do marido dela!
     Ah, lembro também de uma vez em que fiz um importante ultrassom no laboratório errado, exatamente no mesmo prédio do laboratório em que o meu exame estava marcado. Lembro de outra vez, quando secretária, que simplesmente recebi um cliente da empresa, todo formal, que havia chegado para uma reunião com o diretor, com nada menos que dois beijinhos no rosto, sendo que deveria ter apenas trocado um aperto de mão com ele e olhe lá! Gelei na hora, percebendo o que havia feito, com a cabeça de vento sabe-se lá onde, mas tive que fingir indiferença, né?
     Num dia desses, numa fila para tirar fotos com famosos, falei a um jornalista ilustre que não queria tirar uma foto com ele, porque deu um "branco" qualquer na hora. Daí, o chamei, mas ele foi embora aborrecido... Certa vez, eu estava caminhando pela rua quando vi, pelo canto do olho, algumas moças sentadas na calçada. Uma delas falou algo comigo. Então, respondi gentilmente:
_ Desculpe, bem, mas estou sem trocado hoje.
Ela me disse:
_ Não, não, eu só perguntei que horas são!
     Houve aquelas vezes em que falei (não tão mal assim) de alguém e a pessoa estava bem atrás de mim, em que já troquei o açúcar pelo sal, já tentei remover esmalte de unha com o frasco de água oxigenada, comecei a escovar os dentes com pomada... Essas são clássicas, claro.
     Tudo isso é verdade, mas, exageros e brincadeiras à parte, há uns dois ou três anos, entrei num curso de Tai Chi Chuan. Entre todas as outras coisas excelentes, o Tai Chi tem me ensinado a correr menos, a ser mais calma e paciente, a parar para observar o mundo, e eu tenho aprendido a observar... a observar tudo que realmente importa. Mas isso já é uma outra história...

* Pedaçudo: Aproveito o ensejo para esclarecer uma pergunta que me fazem. O que vem a ser "pedaçudo"? Simples, na conotação acima, pedaçudo é gostoso. Geralmente, uma coisa boa fica melhor ainda quando tem pedaços de alguma outra coisa boa. Sorvete com pedaços de chocolate. Iogurte com pedaços de frutas. Barra de chocolate com pedaços de castanhas. Bolo de fubá com pedaços de goiabada. Enfim... acho que deu para entender. Pedaçudo: gostoso. Adoro a maneira como podemos brincar com as palavras, expressões e neologismos do nosso idioma. Aliás, acho que temos um idioma, digamos assim... pedaçudo!

2011 - O Mundo Encantado dos Sebos

"Ao meu querido Jon..."


     Que todo mundo gosta de um livro novinho em folha, não tem dúvida. Mas falar sobre as livrarias é um capítulo à parte. Sou da época em que não existia esse negócio de internet. Para fazer pesquisas escolares, eu tinha de ir à biblioteca e, na época em que trabalhava e estudava à noite (desde os 16 anos), frequentava muito a Mário de Andrade, no centro de São Paulo, por sinal, maravilhosa. Mas bibliotecas também são um capítulo especial à parte, assim como as incríveis exposições de livros.
     Sempre senti grande fascínio pelos sebos. Na época em que fazia pesquisas para a escola e a faculdade, estava sempre lá, num dos inúmeros sebos procurando e encontrado alguma coisa. Aliás, compro livros diversos para pesquisas no sebo até hoje para o meu trabalho. O bom mesmo, porém, é ir ao sebo passear. Exatamente. Passear. Há um sebo perto de casa com uma aura de mistério que parece saído das telas de cinema. Eu me sinto num daqueles filmes sobre magia quando vou até lá. É uma delícia saltitar entre todas aquelas estantes lotadas, garimpando, procurando coisas interessantes para ler, deixando que elas venham parar nas minhas mãos ao acaso. Tenho encontrado cada preciosidade.
     Hoje em dia, existem os sebos virtuais, que são muito práticos e úteis, dependendo da necessidade, mas, quando não há pressa na compra, nada como visitar um sebo.
     Ah, só uma coisinha... Sabe o que tenho encontrado muito? Livros legais para ler com lindas dedicatórias, como, por exemplo, "Ao nosso netinho, com todo o carinho de seus avós, este livro, para que se lembre sempre de nós..." Ou "À amiga Tertuliana (nome fictício), aniversário e Páscoa, ofereço com carinho..." (Este, copiei na íntegra.)
     Gente, "pelamordedeus", quando alguém nos dá um livro de presente, e ainda com uma dedicatória especial, é porque vem do coração. Como cargas d'água alguém tem coragem de doar o livro com dedicatória para o sebo, ou até vender por 1 real? Deve estar cheio de avós e padrinhos se revirando no túmulo...

     Bem, não posso julgar, nem costumo, pois cada um é que sabe dos seus motivos para as coisas que faz. Mas não nada custa enfatizar que isso é o fim do fim.
De qualquer modo, se você gosta de livros, já sabe como é ótimo explorar os sebos, pois eles têm coisas sensacionais a oferecer... Sem mencionar a economia no bolso. Boa garimpagem!

2011 - O Mundo Encantado das Livrarias

  
     Livrarias e feiras de livros são o hábitat natural dos ratos de biblioteca _ além das bibliotecas propriamente ditas, naturalmente. Nós nos sentimos num verdadeiro parque de diversões no meio de todos aqueles livros, saltitando por entre os corredores, quase devorando o conteúdo das prateleiras.
     É um programa completo, quer a livraria seja pequena e aconchegante, ou enorme (o equivalente a uma fábrica de chocolate para as crianças – com Johnny Depp e tudo!). Há uma atmosfera mágica numa livraria.   Quantas histórias, aventuras (e desventuras), quanto mistério, suspense, romance, quantos risos não há por trás de todas aquelas capas de livros? Podemos ir até lá para comprar algo específico que precisamos, como um livro recém-lançado que queremos ler, ou simplesmente entrar “só para olhar”. Essa é a melhor parte, quando entramos numa livraria com tempo de sobra, “só para olhar”, e vamos curtindo cada uma das seções, apreciando as novidades, relembrando bons tempos com as publicações consagradas mais antigas e marcantes. Claro que sempre acabamos levando alguma coisa, nem que seja, no mínimo, um livrinho de bolso. Antes disso, porém, folheamos daqui e dali, admiramos capas e belas edições, nos enternecemos com a seção infantil, escolhemos um livro especial para presentear alguém, ou a nós mesmos. Pode não parecer ao primeiro olhar, mas há um mar de possibilidades numa livraria.
     Sabemos que o processo de criação de um livro, passando pelas várias etapas, desde sua concepção até a publicação em si, costuma ser bastante trabalhoso (envolvendo autor e diversos profissionais e custos) e que o escritor precisa e deve ter seu trabalho reconhecido. Mas junto aqui o meu apelo ao de inúmeras pessoas para que os livros não custem tão caro no Brasil. Espero que os livros se tornem bem mais acessíveis a todos, no mundo inteiro. De fato, atualmente há uma variedade bem maior de livrarias do que se costumava ver antigamente, com promoções bem vantajosas e muitos livros de edições mais populares. É só pesquisar...  E se deliciar com os livros como um bom rato de biblioteca que se preze.
     Conheço uma livraria especial, muito convidativa. É um casarão rústico, semelhante a um chalé, ou uma casa de fazenda. A fachada e demais paredes externas são pintadas com um tom vibrante de azul, com detalhes em creme e branco, além de tijolos aparentes, e há imensas portas-janelas e vidraças emolduradas com madeira escura.
     A livraria é cercada por uma profusão de folhagens viçosas e flores multicoloridas em grandes vasos e floreiras distribuídas ao redor do casarão. As várias salas de seu interior compõem ambientes agradáveis com móveis despojados, estofados confortáveis, posicionados estrategicamente entre as inúmeras estantes de livros. Os adultos podem escolher seus livros tranquilamente e folheá-los à vontade, enquanto as crianças brincam na seção infantojuvenil. Essa é uma das minhas seções preferidas, quase semelhante a um quarto de criança, com uma decoração formada por bichos de pelúcia, bonecas de pano e brinquedos de madeira acomodados entre os livros de capas tão atraentes.
     Há também uma sala onde encontramos DVDs e CDs, com pôsteres incríveis de filmes e de astros da música nas paredes e bonecos em miniatura de personagens variados nas prateleiras. Se por um lado a decoração é descontraída, por outro a parte do eficiente atendimento é totalmente informatizada, não deixando nada a desejar. Durante uma pausa na escolha dos livros, você pode relaxar ainda mais num espaço da livraria reservado para as instalações de um charmoso café, com uma ampla vidraça dando para as plantas exuberantes, onde são servidos deliciosos cupcakes e croissants.
     Não é uma livraria imensa como uma megastore, mas ela possui uma grande variedade de títulos, um lugar onde certamente podemos encontrar o que procuramos em termos literários. Essa livraria me lembra um pouquinho os meus blogs: repleta de cantinhos acolhedores e surpreendentes. Aliás, a dona da livraria trabalha lá, num escritório nos fundos, cheio de bibelôs e porta-retratos, com uma janela dando para os vasos de plantas. Acho que vi um pôster gigantesco do Queen numa das paredes também... Pensando bem, há uma prateleira inteira com coisas do Queen lá: CDs, DVDs, livros... Nesse escritório de móveis rústicos, ela administra a livraria, escreve em seus blogs, pois é blogueira de carteirinha, e ainda faz as traduções que o tempo lhe permite... isso quando ela mesma não está saltitando por entre os livros... ou saboreando um cupcake com uma bela xícara de café fumegante.
     Existem inúmeras livrarias semelhantes a essa no mundo, mas ela é especial. Essa livraria especificamente é minha, mas ainda não existe. Por enquanto, só existe nos meus sonhos e na minha imaginação.

Mas, quem sabe, um dia com muito trabalho e esforço, como sempre conquistei as coisas na vida, como a maioria das pessoas?

Os livros nos conduzem por mundos
novos, misteriosos, fascinantes.
Distraem, ensinam, encantam. São
uma inestimável companhia. Gostar
de ler é uma dádiva, um privilégio,
sim, mas que está à disposição
e ao alcance de todos. tj*¬



Paz

      A primeira coisa que chamou a atenção dele foi o sol. Fazia tanto tempo que não saía para o sol. Era uma luminosidade suave, dourada, que envolvia tudo ao redor. E o calor morno na pele era tão agradável. Não havia nuvens no intenso azul do céu. Ele achou que jamais vira um céu tão azul e brilhante. Pombas esvoaçavam de maneira etérea, um tanto ao longe, alvas, graciosas, movendo lentamente as asas com plumas de aspecto tão macio. Seriam pombas, ou anjos?
     Ele começou a caminhar, hesitante em princípio, mas, de repente, percebeu que suas pernas estavam fortes, vigorosas, e não teve medo de andar. Sentiu um prazer absoluto em poder andar novamente, dar passos tão confiantes e firmes sobre a relva verdejante. Olhando ao redor, viu campos de trigo na distância, ondulando sob a brisa, serenos como os de sua infância, quando correra alegremente por entre suas fileiras douradas.
     Notou, então, que agora passava por fartos arbustos com flores em profusão, de todas as cores. Agachou-se para colher uma. Era tão perfumada! Mas o que surpreendeu mais foi sua agilidade. Foi tão fácil se mover para pegá-la! Tornou a sentir a fragrância, respirando fundo, deixando o ar inundar os seus pulmões. Como se sentia bem e disposto, robusto. Olhou para a flor de um amarelo delicado e foi quando viu... Suas mãos. Não estavam mais ossudas e engelhadas. Eram mãos jovens, firmes, saudáveis. Tão belas quanto a flor.
     Admirado e tomado por uma profunda paz, uma paz como nunca sentira antes, continuou caminhando, maravilhado com todos os detalhes, saboreando cada momento. Ouviu o murmurinho de água e não demorou a passar por uma cachoeira. Deteve-se para contemplar a água espumante que escorria por entre as rochas até uma lagoa cristalina. Aproximando-se, molhou os pés na beirada, deliciando-se com o frescor da água, deixando que todos os seus sentidos fossem acalentados pela beleza e tranquilidade ao redor. Continuou caminhando, então, ágil, mas com todo o vagar. Não havia pressa para nada. Tudo era tão convidativo ali.
     Foi naquele momento que a viu. Ela lhe acenava de leve, parada junto a uma árvore frondosa. Não lhe era estranha. Era jovem, bonita, cheia de vivacidade. Ele teve vontade de lhe dar a flor. A flor que segurava com notável firmeza em sua mão. Com passos determinados, mas calmos, prosseguiu enquanto ela lhe sorria e acenava. Ele estendeu a flor e também sorriu quando ela a pegou e suas mãos se tocaram.
     Era a sua amada Conceição.

2011 - Minha Doce Esther


Foto: Solange


                            
Enquanto uns saltam dentro de um barril do alto das cataratas do Niágara, deixam unhas medonhas crescer três metros, ou constroem uma jangada com um caixa de palitos de fósforos e um rolo de fio dental ao estilo do MacGyver, tudo para constar no livro dos Recordes, há uma pessoa especial que entrou no meu livro dos Recordes pessoal apenas pela façanha da sua existência.
A dna. Esther passou por este mundo e deixou seu legado de amor e carinho. Além da minha própria saudosa mãe, Conceiçã, fui abençoada por Deus com várias mães em todos os momentos em que precisei: prima Míriam, tia Amélia, "vó" Eduarda, "vó" Amabília, entre tantas outras. A dna. Esther foi outra mãezinha amada. Ela me acolheu com todo o amor, como se eu fosse sua própria filha e esteve ao meu lado em vários momentos maravilhosos e nos de desespero também, sempre me apoiando, me amparando, me dando seu colo de mãe. Se existe a bondade em pessoa, era ela. Um anjo na Terra, sem exagero, que só pode ter voltado para a sua luz celestial, que só pode estar na mais santa paz e felicidade que merece. Eu precisaria de páginas e páginas para falar tudo que sinto por ela, mas acho que basta dizer que ela conquistou verdadeiramente o meu coração.
Essa flor que está acima era dela. A dna. Esther adorava plantas e vivia me dando mudinhas daqui e dali, que eu adorava. Muitas das queridas plantas dela estão na casa da filha, minha cunhada e irmã, Solange. Elas parecem ter sentimentos, e essa planta andava meio tristezinha, quase morrendo, sem dar flores, até que desabrochou nesse lindo lírio exatamente no dia do aniversário da dna. Esther. "E hoje p/ meu espanto abriu um lindo lírio, bem no dia do aniversário dela. Pode ser fantasia da minha cabeça, mas senti como se fosse uma mensagem de Deus, que minha mãe permanece Viva, como a planta." Foi o que a Solange me contou no e-mail que me enviou com a foto do lírio. E é no que acredito também.
Mas eu comecei falando de livros de Recordes, naõ é mesmo? Entendo por que muita gente execra as pobres sogras. Afinal, tem cada uma que eu vou te contar, embora eu não julgue ninguém... E as piadas sobre a ilustre "véia", então! Adoro. Não é mesmo todo mundo que tem a mesma sorte que eu por dizer que a minha entrou no meu livro pessoal dos Recordes como a Melhor Sogra do Mundo!

P.S.: Respeito todas as religiões e procuro aprender tudo o que posso sobre a maioria delas, inclusive espiritismo. Não sei o que acontece depois desta vida, só sei o que lembro de uma canção que adoro do Freddie: "There Must Be More to Life Than This..." não só aqui, mas em outro plano qualquer também, na Santa Paz, como costumo dizer.
Se não, nada disto faria sentido, creio eu.

This beautiful plant, that belonged to Esther, my beloved and late mother-in-law (or kind of mother-in-life), blooms every year on the precise day of her birthday. I believe it's a kind of "message" that she's well in Heaven.

Foto: Solange
P.S.2: Este ano de 2012, como aconteceu no ano passado, o lírio floresceu de novo no dia 17 de setembro de 2011, data do aniversário de nascimento da dna. Esther e, se possível, ainda mais lindo. Para mim, significa que ela está na Santa Paz de Deus, que está numa dimensão iluminada, repleta da própria luz, da merecida felicidade que ela conquistou com o seu coração puro.



domingo, 1 de julho de 2012

28/Abril/2011 - Aos Meus Saudosos Pais


     Dedico este texto aos meus amados e saudosos pais, Antonio e Conceição, que me criaram com toda a integridade e me ensinaram os importantes valores e bons princípios da vida. Entre tantas outras coisas boas, eles foram os principais responsáveis pela profissão que adoro, colocando-me aos 13 anos no meu excelente curso de inglês, ainda que não tivéssemos condições para isso.

                                                                         PAZ

       A primeira coisa que chamou a atenção dele foi o sol. Fazia tanto tempo que não saía para o sol. Era uma luminosidade suave, dourada, que envolvia tudo ao redor. E o calor morno na pele era tão agradável. Não havia nuvens no intenso azul do céu. Ele achou que jamais vira um céu tão azul e brilhante. Pombas esvoaçavam de maneira etérea, um tanto ao longe, alvas, graciosas, movendo lentamente as asas com plumas de aspecto tão macio. Seriam pombas, ou anjos?

     Ele começou a caminhar, hesitante em princípio, mas, de repente, percebeu que suas pernas estavam fortes, vigorosas, e não teve medo de andar. Sentiu um prazer absoluto em poder andar novamente, dar passos tão confiantes e firmes sobre a relva verdejante. Olhando ao redor, viu campos de trigo na distância, ondulando sob a brisa, serenos como os de sua infância, quando correra alegremente por entre suas fileiras douradas.
     Notou, então, que agora passava por fartos arbustos com flores em profusão, de todas as cores. Agachou-se para colher uma. Era tão perfumada! Mas o que surpreendeu mais foi sua agilidade. Foi tão fácil se mover para pegá-la! Tornou a sentir a fragrância, respirando fundo, deixando o ar inundar os seus pulmões. Como se sentia bem e disposto, robusto. Olhou para a flor de um amarelo delicado e foi quando viu... Suas mãos. Não estavam mais ossudas e engelhadas. Eram mãos jovens, firmes, saudáveis. Tão belas quanto a flor.
     Admirado e tomado por uma profunda paz, uma paz como nunca sentira antes, continuou caminhando, maravilhado com todos os detalhes, saboreando cada momento. Ouviu o murmurinho de água e não demorou a passar por uma cachoeira. Deteve-se para contemplar a água espumante que escorria por entre as rochas até uma lagoa cristalina. Aproximando-se, molhou os pés na beirada, deliciando-se com o frescor da água, deixando que todos os seus sentidos fossem acalentados pela beleza e tranquilidade ao redor. Continuou caminhando, então, ágil, mas com todo o vagar. Não havia pressa para nada. Tudo era tão convidativo ali.
     Foi naquele momento que a viu. Ela lhe acenava de leve, parada junto a uma árvore frondosa. Não lhe era estranha. Era jovem, bonita, cheia de vivacidade. Ele teve vontade de lhe dar a flor. A flor que segurava com notável firmeza em sua mão. Com passos determinados, mas calmos, prosseguiu enquanto ela lhe sorria e acenava. Ele estendeu a flor e também sorriu quando ela a pegou e suas mãos se tocaram.
     Era a sua amada Conceição.


P.S.: Em 2010, meu pai, que Deus o tenha, faleceu aos 82 anos em decorrência de complicações do Mal de Parkinson, depois de ter ficado vários meses entrevado numa cama, totalmente lúcido, um tormento para uma pessoa tão ativa como ele foi sempre. Mas o pai que guardo nas lembranças é aquele que estava sempre disposto e em constante movimento, trabalhando, vigoroso, cuidando de nós, sorrindo, aconselhando... Por isso tirei essa cena que descrevo acima puramente da minha imaginação romântica e, embora não entenda muito desses assuntos religiosos em geral, apesar de respeitá-los e desejar aprender sempre, me faz muito bem imaginar que os meus queridos pais se reencontraram em algum lugar exatamente assim.
This a text I wrote as a homage to my dad, Antonio, that died in 2010, as a victim of Parkinson, at 82. He has always been strong, active, and worked hard. In this text, I describe how I imagine what he felt when he got to "the other side", being able to feel strong and young again, breathing fresh air, feeling the sun touching his skin, admiring the natural beauty around. Then, picking a yellow flower and giving it to my late mom, that was there, very young too, waiting for him.

************************* 


************************* 


Aqui estamos meu irmão, eu, aos 3 anos, e a nossa mãe, Conceição,
numa foto que uma prima me deu recentemente.

Essa foto contém uma mensagem no verso da minha mãe,

em 1968, quando enviou a foto de Portugal para seus

tios, no Brasil. É uma mensagem tão inocente, dizendo

que envia a nossa foto com amor, mencionando o lugar

onde estamos e acrescentando que estava ventando

muito, para explicar o desalinho (que nem noto) do

cabelo. É tão melancólico, mas ao mesmo tempo incrível olhar

para a letra da minha saudosa mãe, para as palavras

que escreveu num dado momento no tempo, palavras

que estão eternizadas numa foto gasta,

palavras da minha mãe. Nem sei descrever direito o que

sinto ao olhar bem para essas palavras simples e inocentes

com uma caligrafia bonita, mas denotando o pouco estudo que

ela sempre lamentou ter tido. Palavras da minha mãe... é

uma emoção realmente estranha... mas muito, muito boa.

     In this picture, we see my brother, me, at 3 years old, and our mom, Conceição, in a picture that a cousin gave me recently. This picture has a message in the back that was written by my mom, in 1968, when she sent the photo from Portugal to her uncle and aunt, in Brazil.
      It’s such an innocent message, saying that she’s sending our photo with love, mentioning the place where we are, and adding the day was very windy, to explain why her hair is dishevelled (a detail that I don’t even notice). There’s such a melancholic but at the same incredible feeling, when I look to my late mom’s writing, to the words she wrote in an certain moment in time, words that are eternalized in an worn picture, words from my mom…
      I don’t even know how to describe exactly what I feel when I look hard to these innocent, simple words, in beautiful writing, but showing the little instruction that she has always regretted she had. Words from my mom… it’s a really strange feeling… but very, very good.



***********************

28 de abril de 2012

Feliz Aniversário, Blog! (1 ano!)



     Criei o meu blog exatamente no dia 28/04/2011 como um projeto muito especial para mim. Depois de 20 anos trabalhando como tradutora, tive a ideia de criar um blog para comentar minhas traduções e dar dicas de tradução a quem se interessasse. Também sempre adorei livros e sonhei em escrever alguma coisa algum dia. O blog foi uma forma que encontrei de escrever os meus textos e, como digo, “brincar” de escritora.
     Desde que o criei, o blog, que vive em constante evolução, passou por uma transformação total, embora o conteúdo inicial tenha permanecido o mesmo. No início, a página principal era sobre as traduções e eu escrevia os meus textos em algumas das páginas adicionais. Então, me ocorreu que deixaria o blog mais interessante se fosse publicando os meus textos na página inicial. Daí mudei tudo de lugar, coloquei os comentários sobre os livros numa página adicional e batizei o blog de “Aprendizes de Escritores”. Não é um blog onde ensino técnicas de escrita, como os blogs convencionais desse tipo. É um blog através do qual acho que eu mesma aprendo a escrever. Eu sou a aprendiz de escritora e espero poder passar alguma coisa através dos meus textos para outros aspirantes a escritor, nem que seja no mínimo o encorajamento.
     O blog também se destina a visitantes em geral que simplesmente queiram se entreter com seu conteúdo.
     É com orgulho, portanto, que comemoro o aniversário dele e agradeço de coração aos seguidores e visitantes.




*************************
23 de Abril de 2012

Dia Mundial do Livro



     Desde pequena, os livros sempre foram e continuam sendo meus companheiros inseparáveis. Já perdi a conta de quantos li, viajando por inúmeras páginas recheadas de vários tipos de histórias e gêneros. Também gosto de livros de autoajuda, que nos fazem sentir realmente bem, como se fizéssemos uma terapia personalizada.
     Quando leio, mergulho na história e aquele livro passa a fazer parte dos meus pensamentos diários, como se eu estivesse assistindo aos capítulos de uma novela, querendo saber o que vai acontecer em seguida.
     Quando estou lendo um livro, não penso mais nada, esqueço as preocupações e problemas, e me distraio através dessa que também é uma forma interessante de lazer.
     Claro que os livros devem ser sempre vistos como companheiros, não como uma fuga à realidade ou um tipo de isolamento das demais pessoas. Podem até nos acompanhar num passeio para lermos uma página ou outra num momento de descanso, mas temos de desfrutar os outros tipos de lazer. Não vamos passar o dia inteiro lendo, temos outras coisas para fazer.
    Mas se há uma coisa prazerosa é desfrutarmos aquele tempo que podemos dedicar à leitura.
    No meu caso, os livros também se transformaram em companheiros de trabalho porque, há mais de 20 anos, são os originais da traduções que faço. É mais um motivo de eu adorar tanto o meu trabalho, pois acabo me aprofundando muito mais nesses livros do que se fosse uma leitura normal e me empenho para que o resultado final não deixe nada a desejar.
    Apesar de toda a bem-vinda tecnologia de hoje, que me ajuda muito em pesquisas e estudos, prefiro o livro de papel aos e-books quando se trata da leitura como lazer. Adoro andar por feiras de livros, livrarias e garimpar no sebo, olhando capas de livros, folheando páginas. Quando leio, gosto de pegar o livro de papel nas mãos, de folheá-lo, de descansar os olhos de telas eletrônicas e me ajeitar o mais confortavelmente possível enquanto deixo a imaginação navegar por mais uma história.
     No dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro, através do meu blog Aprendizes de Escritores, onde também estou aprendendo a escrever, faço a minha homenagem a esse companheiro inestimável, o livro. tj*¬
  
P.S.: Não podemos esquecer que milhões de pessoas no nosso país e no mundo não têm acesso nem a livros de papel quanto mais a e-books. Jamais podemos considerar bibliotecas públicas ou sebos como obsoletos. Temos de divulgar iniciativas como as bibliotecas itinerantes, as promoções de livros das livrarias e as campanhas de doação de livros, doando livros sempre que pudermos.

************************

Bem-Vindos também às Páginas Adicionais deste Blog.
Be Welcomed also to the Additional Pages of this Blog.


Blog criado em 28/04/2011
Blog created on 04/28/2011